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Diário de Bordo #019 – Prolongando a Estadia

Acabamos ficando mais tempo em Nassau do que o previsto

Após o susto que levamos no domingo a noite, dormir tranquilo ancorados no canal virou um desafio a mais.

A  preocupação com a âncora ou com uma Lancha passando é constante, a semana passa rápido e nós saindo muito pouco do veleiro, o nosso bote de apoio tem um motor muito fraco além de que é cada vez mais difícil conseguir um bom lugar para a ancoragem dele, qualquer lugar mais próximo a nossa ancoragem é proibida.

Já estamos sem água e manter a banca de baterias carregada está sendo um desafio.

Os paineis que instalamos em paralelo não nos fornecem o bastante, conversando com um amigo pelo WhatsApp ele nos aconselha a instalar em série, no primeiro dia não me pareceu que fez diferença, mas a partir do segundo dia dos painéis em série a diferença foi bem grande.

Quando finalmente nossos estais chegam, precisamos de ajuda para desembaraçar o pacote na receita local, através do Mike da Marina Bradford de Freeport encontramos o Francisco, um cubano que mora na ilha a 40 anos. Francisco acionou o escritório dele para nos ajudar com a burocracia

Nosso cruising permit está vencido o que complica a situação, com o cruising permit em dia o imposto fica bem mais barato.

Francisco nos leva de carro para o departamento da marinha, estendemos nosso cruising permit por 500 dolares o que nos permite velejar pelas Bahamas por um ano e no mesmo lugar pagamos o imposto que baixou de 830 para 225 dolares, foi tudo no mesmo lugar, após isso ele nos leva até o Fedex onde nossos estais estão.

Sem a ajuda do Francisco esses procedimentos todos teriam nos custado muito tempo e provavelmente muito mais dinheiro.

De volta ao Veleiro e prontos para ir para a Marina para trocar os estais descobrimos que nosso motor parou de funcionar por completo, e o que nos deixa ainda mais chateados é que além do motor ter parado o gerador novinho também parou, tudo absolutamente sem explicação, estava funcionando perfeitamente.

Tentamos tudo o que sabíamos a respeito, sem resultados voltamos a apelar para o Francisco, questionando qual seria o mecânico de confiança que poderia nos ajudar e assim ficamos conhecendo o Rob Evans um inglês erradicado na Ilha, ficamos bem amigos, Rob gosta muito mais de lanchas, são bem mais rápidas, ele ama seguir com elas até uma praia gostosa e tomar cerveja, demos muita risada.

Rob também leva o gerador para verificar o que está acontecendo com ele e descobre que houve uma mistura de combustíveis que provocou a parada, não me pergunte como ou quem foi o responsável, é um mistério que vai ficar sem resposta , o sistema foi limpo, trocou-se a vela e pronto, tudo volta ao normal, que alívio.

Ele também coloca nosso motor para funcionar novamente, aliás o que provocou a parada do motor foi água no sistema e filtros sujos, o diesel precisa ser sangrado as vezes ele cria água.

Chegamos na Marina no dia 18, uma quarta feira, finalmente temos acesso a água em abundância e energia a vontade, não tem como descrever a sensação, sem dizer que podemos dormir tranquilos porque não tem lanchas rasgando as águas bem ao nosso lado.

Pensamos que com duas ou no máximo três noites estaríamos prontos para seguir viagem, no entanto, o capitão e o Max cismaram com o Leme, está vazando óleo, na verdade já saiu assim de Freeport, por algum motivo isso não os incomodou lá, mas agora não querem sair sem o problema resolvido, é claro que eles tem razão, um veleiro sem leme em meio ao oceano ninguém quer.

Assim conhecemos Nassau um pouco melhor, agora na Marina sair do veleiro e passear ficou bem mais fácil.

Passear na orla visitar o Fort local nos distrai quando passamos no mercado de peixe recebemos uma verdadeira aula a respeito de como retirar o molusco que mora em conchas grandes, uma iguaria que pode ser preparada de muitas formas diferentes, é o que garante o pescador.

Hoje com todas estas experiências vividas e velejando quase nada, entendo que para um veleiro ser considerado seguro para velejar precisa ter o casco em ordem é claro, mas o motor e o leme em dia, a mastreação bem firme, depois em ordem de prioridades a parte elétrica para que as luzes de navegação e os equipamentos de apoio a navegação funcionem adequadamente, todo o resto é cosmética, sombra para melhorar o conforto, um motor bom para o bote de apoio, dessalinizador para ter água a vontade, todas estas coisas vem após os 5 principais itens mencionados acima.

Falando em mastreação, nossos estais chegaram, mas os T-Ball que é a peça que entra no mastro lá em cima, estão grandes demais e precisamos primeiro desbastá-las em um ferreiro local para que possamos usa-los, além de que, dois dos estais estão curtos demais, medimos errado, conseguimos usar o cabo novo com um alongador, mas já sabemos que é preciso trocar estes dois estais além de todos os outros não trocados ainda.

Vamos para o Panamá com quase nenhuma vela, contando mais com o motor.

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