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COMO VOCÊS CONSEGUEM?

Quando contamos para os amigos e conhecidos nosso plano e o que estamos fazendo para poder viabilizar o sonho de viajar sem rumo e ainda sem data para retorno, a reação acaba sendo muito parecida.

“COMO VOCÊS CONSEGUEM?”

E ai, eu fico pensando, como assim? como conseguem o que? e conforme o assunto evolui descubro que estão falando de desapego.

Pra mim não é uma questão de desapego e sim de apego, não consigo falar pelo meu marido mas, no meu caso é apego, apego ao sonho, e para que eu consiga viver esse sonho (que já contei em outro post sobre como transformar sonho em meta), preciso deixar ir, acho extremamente importante deixar ir as raízes e as amarras que me prendem a um determinado lugar para poder viver o que pretendo viver.

Tenho consciência de que as coisas não vão exatamente conforme planejamos, e depois de uma ano e meio no processo da mudança isso ficou muito claro, mas, mesmo assim é importante ter planejamento, precisamos construir alguma base, alguma estrutura para tomar as decisões que precisamos tomar a fim de seguir na direção que queremos seguir. Se tudo fosse mesmo absolutamente planejável que graça teria não é mesmo? Precisa ter alguma surpresa para que a vida continue assim, emocionante, empolgante e fazendo você se perguntar sobre o sentido da vida. Talvez quando se é jovem e não se construiu muita coisa ainda seja mais fácil, mas mesmo assim, uma mudança radical é sempre muito interessante para trazer fluxo novo ao processo da vida.

Percebo que preciso explicar um pouco melhor sobre o que estou querendo dizer, estamos nos desfazendo de todas as nossas coisas, moveis, bens, enfim, a casa que construímos, esvaziando e transformando, guardar algumas coisas? somente fotos e alguns livros, talvez um ou outro objeto que tenhamos mais apego emocional e a confusão na cabeça dos amigos é, mas vocês não vão voltar nunca mais? como se isso fosse algo tão definitivo que não tivesse volta alguma.

Acabo explicando que na verdade não sabemos, nosso objetivo é ver o mundo e quanto mais dele, melhor, como não conseguimos saber tudo sobre o dia de amanhã deixamos espaços abertos neste planejamento, mas, voltar a morar na mesma casa? ter a mesma vida? isso é algo que não conseguimos imaginar, pode até ser que sim e se esse for o caso, tenho certeza que teremos novas oportunidades fantásticas.

Nossa mente é confusa, ficamos amarrados ao medo, mas não passam de ilusões e por conta destas ilusões criamos mecanismos de defesa, nosso ego é muito vulnerável e inseguro e acaba se vendo o tempo todo sob ameaça. Quando se percebe que viver livre de amarras é uma possibilidade que lhe permite vivenciar muito mais? então essa ilusão do apego aos bens materiais de anos e anos passa a ser o apego ao que se pode ter, do que se pode viver, novas experiências, novas culturas, uma infinidade de lugares. Temos que aprender a viver o presente e perceber que ele é mesmo o melhor presente que se pode ter, é fantástico.

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